O corpo de São Filippo Smaldone
No entanto os despojos mortais de Pe. Filippo pousavam na tumba dos barões Della Ratta, sua lembrança, sua presença invisível na Obra, a invocação confiante de quem se dirigia à sua intercessão para obter graças, iniciavam um novo caminho de vida. É próprio das almas extraordinárias viver entre nós além da morte, ainda mais quando vivos se consumam pela glória de Deus e na salvação dos outros.
O sagrado costume de ter viva a recordação das pessoas queridas faz parte do espírito do homem e encontra legitimação e autorizado endosso na Sagrada Escritura, que assegura como “O justo será em perpétua recordação”.
Precisaria, talvez, um outro livro para escrever a história da invisível presença de Pe. Filippo no interior de sua obra e entre as suas irmãs. Também porque muitos confirmaram que depois de seu desaparecimento Pe. Filippo perpetuou, com sinais externos, sua presença neste mundo.
Cinco anos depois do trânsito, no dia 6 de junho de 1928 um busto de bronze do Smaldone foi colocado na parte superior do frontispício do edifício da casa matriz em Lecce, numa lápide comemorativa estava escrito:
“Filippo Smaldone com ousadia, tenacidade e sacrifícios pessoais, fundou no dia 25 de março de 1885 a Ordem das Salesianas dos Sagrados Corações e o Instituto para surdos. As Irmãs reconhecidas dedicam-lhe. Junho de 1928”.
No mesmo período, um outro monumento lhe foi dedicado no pátio da Casa Madre, para que sua figura de Padre fosse sinal visível de sua presença e de sua proteção.
Os dois monumentos foram inaugurados na presença das autoridades eclesiásticas, civis, militares, políticas e de muitos cidadãos, além das Irmãs Salesianas e dos internos. O orador da circunstância, prof. sacerdote Cosimo De Carlo, disse: “Na figura de bronze plasmada pelo valoroso artista cavalheiro Guacci, glória de nossa Lecce e da arte, Filippo Smaldone fala e repete a nós a palavra que formou o programa de sua vida: Caritas Christi urget nos”.
No ano de 1935, celebrou-se em Lecce, Bari e em outros lugares, o cinquentenário de fundação das Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações. O desejo de levar os despojos mortais para a Igreja da Casa Madre das Descalças, era grande. Queria-se rezar sobre o seu túmulo. Tal desejo pôde ser realizado no início de novembro de 1942, como resulta no caderno de crônica da Casa Madre:
6 de novembro – Transporte dos despojos mortais do nosso Fundador Cônego Filippo Smaldone do cemitério à nossa Igreja das Descalças. Cantou-se o Ofício dos Defuntos por vários sacerdotes.
7 de novembro – Hoje, sábado, houve um comovente e austero rito para a tumulação do venerado corpo do Padre Fundador na nossa Igreja.
Diante dos despojos mortais de nosso amadíssimo Padre reuniram-se com o Bispo, Mons. Costa, sacerdotes, irmãs, cidadãos leigos, cristãos para rezar e lembrar aquela grande alma (…). Cantou-se a Missa Fúnebre de Perosi, celebrada por Mons. Doriguzzi com a assistência de sacerdotes Pe. Pantaleo Ricciardi e Pe. Gaetano Stasi.
Estavam presentes todas as superioras das diversas Casas, vindas à Lecce para um curso de exercícios espirituais e ficaram pela dolorosa circunstância, além daquelas da Casa Geral.
Após a celebração Eucarística, os despojos foram tumulados numa parede lateral da Igreja, perto da porta de entrada.
Em 1948, na ocasião do primeiro centenário do nascimento do Smaldone, se renovaram festejos e celebrações. Tornou-se a falar também do desejado e aspirado início do processo canônico de beatificação e de sistematização definitiva do túmulo do fundador, que se queria mais perto do altar maior e com a impressão do título de Fundador das Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações, ainda não posto.
Pelo processo se deveria atender; no entanto a aplicação do título de Fundador sobre o túmulo foi realizada no verão de 1949, depois que a Congregação dos Religiosos emanou um decreto datado 29 de junho, com o qual deu-se fim à questão sobre o verdadeiro Fundador, que pela Cúria de Lecce deveria considerar-se Mons. Zola. Fortificados pela palavra oficial da Igreja, as Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações puderam tranquilamente gravar o título de “Fundador” sobre seu túmulo.
Nos anos cinquenta o Instituto das Irmãs Salesianas empenhou-se muito pela construção da nova Casa Geral na rua Tor. De’ Schiavi em Roma, com anexo Instituto de surdos.
Nos anos setenta começou a expansão missionária da Congregação, realizando o forte desejo do Fundador e, ao mesmo tempo, alargou-se sua fama de santidade e presença espiritual entre todos aqueles que se beneficiam da Obra das irmãs salesianas.
Texto extraído de:
Capítulo XXIX – Retorno às Descalças, do livro Filippo Smaldone: Apóstolo dos Surdos.