Salesianas de São Filippo

O corpo de São Filippo Smaldone

Reconhecimento e a transferência dos restos mortais.

Já em 21 de outubro de 1942, a Superiora Geral, Irmã Germana Doddi, obteve da Sé Apostólica a autorização para transferir os restos mortais de Filippo Smaldone do Cemitério de Lecce para a Igreja da Casa Mãe. Após o reconhecimento oficial de Smaldone como Fundador pela Santa Sé, em 1949, seus restos mortais foram colocados em uma urna de mármore branco.

Em 5 de março de 1996, realizou-se, na mesma igreja, o reconhecimento canônico solicitado pela Congregação para as Causas dos Santos, com vistas à beatificação. A cerimônia foi presidida pelo Arcebispo de Lecce, Dom Cosmo Francesco Ruppi, contando com a presença do Vigário Geral, Monsenhor Francesco Mannarini; de Monsenhor Oronzo De Simone, Promotor de Justiça; de Monsenhor Giancarlo Polito, notário atuário; de Monsenhor Salvatore Colonna, Presidente do Capítulo; e de Monsenhor Franco Lupo, Secretário do Capítulo. Participaram ainda peritos e colaboradores, entre eles o Professor Dr. Nicola Simonetti, anatomista e médico-legista, e o Dr. Angelo Besozzi, otorrinolaringologista. Estiveram presentes a Madre Geral, Irmã Delia Olita, e o Conselho Geral da Congregação. O Postulador, Monsenhor Luigi Porsi, delegou a presença de Monsenhor Cesare Lo Deserto.

Na urna que continha os restos mortais do Padre, Dom Cosmo Francesco Ruppi colocou selos com cera de lacre e um carimbo com o lema Fides victoria nostra (A fé é a nossa vitória). Com a beatificação, o corpo recomposto foi colocado sob o altar-mor, para ser exposto ao culto público.

Para além dos atos oficiais e do reconhecimento eclesial, permaneceu viva, ao longo dos anos, a presença espiritual de Pe. Filippo Smaldone no coração de sua Obra e entre as suas irmãs. Seus despojos mortais repousavam inicialmente na tumba dos barões Della Ratta, mas sua lembrança, sua presença invisível e a invocação confiante daqueles que recorriam à sua intercessão deram início a um novo caminho de vida. É próprio das almas extraordinárias permanecerem entre nós além da morte, sobretudo quando, em vida, se consomem pela glória de Deus e pela salvação dos outros. Esse sagrado costume de manter viva a memória encontra respaldo na Sagrada Escritura, que afirma: “O justo será em perpétua recordação”.

Cinco anos após o seu trânsito, em 6 de junho de 1928, foi colocado um busto de bronze de Smaldone na parte superior do frontispício da Casa Mãe, em Lecce. Os dois monumentos foram inaugurados na presença de autoridades eclesiásticas, civis, militares e políticas, além de numerosos cidadãos, das Irmãs Salesianas e dos internos.

O orador da ocasião, o professor e sacerdote Cosimo De Carlo, declarou: “Na figura de bronze plasmada pelo valoroso artista Guacci, glória de nossa Lecce e da arte, Filippo Smaldone fala e repete a nós a palavra que formou o programa de sua vida: Caritas Christi urget nos.” No mesmo período, outro monumento foi erguido no pátio da Casa Mãe, como sinal visível de sua presença e proteção.

No ano de 1935, ao celebrar-se em Lecce, Bari e em outros lugares o cinquentenário de fundação das Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações, cresceu o desejo de levar os despojos mortais do Fundador para a Igreja da Casa Madre das Descalças, para rezar junto ao seu túmulo. Esse desejo concretizou-se no início de novembro de 1942, conforme registrado nas crônicas da Casa Madre. Em 6 de novembro, realizou-se o transporte dos despojos mortais do Cônego Filippo Smaldone do cemitério para a Igreja das Descalças, com o canto do Ofício dos Defuntos por vários sacerdotes. No dia 7 de novembro, teve lugar um comovente e austero rito de tumulação do venerado corpo do Padre Fundador.

Diante dos seus despojos mortais reuniram-se o Bispo Monsenhor Costa, sacerdotes, irmãs e fiéis leigos para rezar e recordar aquela grande alma. Foi celebrada a Missa Fúnebre de Perosi, presidida por Monsenhor Doriguzzi, com a assistência dos sacerdotes Pe. Pantaleo Ricciardi e Pe. Gaetano Stasi. Estavam presentes todas as Superioras das diversas Casas, reunidas em Lecce para exercícios espirituais, além das religiosas da Casa Geral. Após a celebração eucarística, os despojos foram tumulados em uma parede lateral da Igreja, próxima à porta de entrada.
Em 1948, por ocasião do primeiro centenário do nascimento de Filippo Smaldone, renovaram-se festas e celebrações, e voltou-se a falar do processo canônico de beatificação e da sistematização definitiva do túmulo, desejado mais próximo do altar-mor e com a inscrição do título de Fundador das Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações. Embora o processo exigisse espera, a inscrição do título de Fundador foi realizada no verão de 1949, após o decreto da Congregação dos Religiosos, datado de 29 de junho, que pôs fim à questão sobre o verdadeiro Fundador. Fortificadas pela palavra oficial da Igreja, as Irmãs puderam, então, gravar serenamente o título sobre o túmulo.
Nos anos cinquenta, o Instituto das Irmãs Salesianas empenhou-se intensamente na construção da nova Casa Geral, na Rua Tor de’ Schiavi, em Roma, com o anexo Instituto para surdos. Já nos anos setenta, iniciou-se a expansão missionária da Congregação, realizando o profundo desejo do Fundador e ampliando-se, ao mesmo tempo, sua fama de santidade e de presença espiritual entre todos aqueles que se beneficiam da Obra das Irmãs Salesianas.

Texto extraído de:
San Filippo Smaldone. Apostolo dei Sordi – Effatà, un carisma che continua…,
Irmã Prisca Corrado.

Capítulo XXIX – Retorno às Descalças, do livro Filippo Smaldone: Apóstolo dos Surdos.

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